Institucional

Museu da Inconfidência

É com enorme alegria e sentido de responsabilidade pública que recebemos, hoje, em parceria com o Instituto de Pesquisa e Promoção à Arte e Cultura — IPAC, a coleção doada ao Museu da Inconfidência pela Rede D’Or, Grupo São Joaquim e pela Petrobahia. Mais do que a incorporação de um novo conjunto de peças ao nosso acervo, esta doação representa um gesto de confiança, de parceria institucional e, sobretudo, de compromisso com a memória histórica e cultural do Brasil.
O Museu da Inconfidência nasceu como um lugar de evocação da liberdade, um museu-memorial dedicado à Inconfidência Mineira e às lutas pela emancipação política, mas que, ao longo de sua trajetória, consolidou-se também como espaço de reflexão crítica sobre a formação social, econômica e cultural de Minas Gerais e do país.

Cada nova coleção que aqui chega é uma oportunidade de ampliar e complexificar essa narrativa, incorporando outras vozes, outros olhares, outras temporalidades.
A coleção que hoje se integra ao acervo do Museu traz consigo camadas de história. Ela nos fala da memória do trabalho, da vida urbana, das paisagens arquitetônicas, dos símbolos que ajudam a construir a imagem do Brasil e, em particular, de Minas Gerais. São obras e documentos que dialogam com o barroco, com o patrimônio moderno, com a experiência cotidiana de homens e mulheres que, muitas vezes, não aparecem na narrativa oficial, mas que são protagonistas silenciosos da nossa história.

Ao destinar esse conjunto a um museu público federal, localizado em Ouro Preto, afirmam o papel necessário das parcerias entre o poder público e o setor privado na preservação do patrimônio cultural. Esta doação é uma forma exemplar de responsabilidade social e cultural: bens que eram preservados por instituições privadas passam a ser partilhados com a sociedade em um espaço de acesso
democrático, de pesquisa e de educação patrimonial.

Para o Museu da Inconfidência, a incorporação dessa coleção possui três dimensões fundamentais. No campo histórico e museológico, as novas peças ampliam a possibilidade de leitura do passado e presente brasileiro. Ao fortalecer essas interconexões, a coleção enriquece tanto as exposições quanto as pesquisas desenvolvidas no Museu. Em sua dimensão educativa, a coleção abre novas oportunidades de diálogo com escolas, universidades, movimentos sociais e comunidades locais, transformando cada obra em ponto de partida para debates sobre inclusão, acessibilidade e estímulo à cultura.

Por fim, no plano simbólico e institucional, a escolha do Museu da Inconfidência como destino reafirma o papel dos museus públicos e da política de acervos na vida democrática, fortalecendo redes de cooperação essenciais para a preservação do patrimônio cultural e para a consolidação de compromissos compartilhados em torno da memória e da cultura.

Destaco que essa doação se insere em um momento de reposicionamento, em que o Museu da Inconfidência vem se esforçando para rever e ampliar suas narrativas, incorporando sujeitos historicamente silenciados e enfrentando temas sensíveis, como a escravidão, o racismo estrutural, as desigualdades territoriais e as disputas pela memória. Nesse contexto, toda coleção que chega é convidada a participar dessa reescrita crítica da história, não como ilustração neutra, mas como material vivo, aberto a novos olhares e interpretações.

Em nome do Instituto Brasileiro de Museus — Ibram e do Museu da Inconfidência, agradeço ao IPAC, à Rede D’Or, ao Grupo São Joaquim e à Petrobahia pela generosidade e pela visão pública que esta doação expressa. Agradeço às equipes técnicas das instituições envolvidas — curadores, restauradores, arquivistas, museólogos, gestores, profissionais das áreas jurídica e administrativa — que trabalharam para que esta transferência se realizasse com segurança, cuidado e respeito às normas de preservação.

Que esta coleção, agora abrigada sob o teto do Museu da Inconfidência, não seja apenas um conjunto de obras guardadas, mas um acervo ativado pela pesquisa, pela educação, pela crítica e pelo olhar do público. Que ela ajude a contar, com mais nuances, a história de Minas e do Brasil, e que inspire novas gerações a refletirem sobre o passado para transformar o presente.

Daiana Castilho Dias

Movimento de Aquisição de Obras – museus brasileiros . fortalecimento . coleções públicas . séculos XVII e XVIII .

A chegada das obras doadas pela Rede D’Or, pela Petrobahia e pela artista Silvana Mendes ao Museu da Inconfidência, no âmbito do Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros, marca um gesto significativo no fortalecimento das coleções públicas do país. Em um contexto no qual nossos museus ainda enfrentam lacunas históricas e estruturais, essa iniciativa reafirma a importância de políticas contínuas de aquisição, especialmente quando pensamos na arte produzida nos séculos XVII e XVIII, período crucial para compreender a formação do Brasil.

O barroco brasileiro — diverso, híbrido, mestiço — foi construído por mãos muitas vezes esquecidas pela narrativa oficial: artesãos anônimos, trabalhadores escravizados, comunidades que inscreveram na madeira, na cor e no ouro suas presenças e ausências. Ao trazer ao acervo do Museu da Inconfidência novas obras desse período, o Movimento reforça a necessidade de revisitar esse legado sob perspectivas mais amplas, incluindo vozes e histórias silenciadas.

Nesse sentido, a presença da artista contemporânea Silvana Mendes neste conjunto não apenas atualiza o gesto de doação, mas tensiona e amplia a leitura possível do acervo. Sua obra, que aborda questões raciais, identitárias e sociais, cria um diálogo produtivo com o passado colonial e com os modos como a história é
construída e exibida nos museus. A inclusão da contemporaneidade, sobretudo de artistas negras e de produção crítica, evidencia que a memória não é estática — ela é feita de revisões, contrapontos e reposicionamentos constantes.

Para o Museu da Inconfidência, instituição historicamente vinculada às narrativas da liberdade, da formação mineira e de seus imaginários políticos, a incorporação desse conjunto tem um papel central. Ao acolher obras que dialogam com o barroco, com o patrimônio e com a produção contemporânea, o Museu se abre a novas leituras, expande sua missão e permite que outros corpos e outras histórias ocupem seu espaço simbólico.
O papel do IPAC, nesse processo, é articular uma política de acervos que reconheça a complexidade da arte brasileira, suas contradições e suas camadas. O Movimento de Aquisição de Obras para Museus Brasileiros atua justamente no sentido de reparar ausências, fortalecer instituições públicas e garantir que obras relevantes permaneçam acessíveis à sociedade, em diálogo com pesquisadores, estudantes e públicos diversos.

A parceria com a Rede D’Or e a Petrobahia evidencia como a colaboração entre iniciativa privada e instituições culturais pode gerar impactos concretos para o patrimônio brasileiro. Trata-se de um modelo de atuação que compreende a importância do investimento contínuo na cultura e reconhece o museu como espaço fundamental de memória, reflexão e construção coletiva.

Esta aquisição, portanto, apresenta não apenas um conjunto de obras, mas um gesto institucional: o reconhecimento de que nossas coleções precisam ser ampliadas, revisitadas e reinterpretadas. Que estas peças contribuam para enriquecer as narrativas do Museu da Inconfidência e, sobretudo, para reposicionar a história da arte brasileira de forma mais plural, inclusiva e crítica.

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1 - Cálices e Ciriais
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